Notícia

Um balé de máquinas: obras noturnas na Ponte Ayrton Senna avançam em ritmo de precisão

Quem passa pela Ponte Ayrton Senna durante o dia encontra o intenso fluxo de veículos que caracteriza uma das principais ligações rodoviárias entre o Paraná e o Mato Grosso do Sul. À noite, porém, o cenário muda completamente. Máquinas, caminhões, trabalhadores e equipamentos ocupam a pista em uma operação coordenada, executada etapa por etapa e dentro de um cronograma rigoroso.

Na noite da última terça-feira, 11 de agosto, a equipe da Diretoria de Comunicação Social e Imprensa – DICSI, do Município de Guaíra, acompanhou, in loco, uma das frentes das obras de restauração e manutenção executadas na Ponte Ayrton Senna. A visita permitiu conhecer de perto o trabalho realizado durante os bloqueios noturnos e registrar uma operação que, observada de dentro da própria obra, revela uma dimensão muito diferente daquela percebida pelos motoristas durante os deslocamentos.

A equipe acompanhou especificamente a frente responsável pela recuperação do pavimento, serviço executado por uma empresa contratada para essa etapa da intervenção. Cerca de 50 profissionais atuam todas as noites somente nessa operação.

E o que chama a atenção é a organização.

Cada equipamento entra na pista no momento determinado, executa sua função e abre espaço para a etapa seguinte. Máquinas avançam em sequência, caminhões chegam no tempo certo e as equipes se distribuem ao longo da ponte como uma verdadeira linha de produção.

Vista de perto, a comparação é inevitável: forma-se um balé de máquinas, no qual cada movimento tem hora, posição e função definidas.

Mais de cinco centímetros do pavimento antigo são retirados

A recuperação do pavimento utiliza CBUQ, sigla para Concreto Betuminoso Usinado a Quente, revestimento asfáltico amplamente utilizado em rodovias por sua resistência ao tráfego pesado e durabilidade.

Mas antes de o novo asfalto chegar à pista, existe uma sequência de trabalho.

Tudo começa com a montagem da sinalização e o isolamento do trecho. Na sequência, entra em operação a fresadora, equipamento responsável pelo corte e pela retirada da camada antiga do pavimento.

Em cada trecho trabalhado, mais de cinco centímetros de profundidade do revestimento antigo são removidos, que permite a preparação adequada da base para receber a nova camada asfáltica.

Depois da fresagem, começa uma sequência precisa de operações. Primeiro ocorre a retirada dos resíduos maiores com equipamentos como a Bobcat. Em seguida, a superfície passa por uma nova limpeza com pressão de ar, necessária para eliminar partículas e deixar a pista preparada para a próxima etapa.

Na sequência, entra o espargidor, responsável pela aplicação do material que promove a aderência entre a superfície preparada e a nova camada asfáltica.

Somente depois desse processo chega o CBUQ. A massa produzida a quente é distribuída sobre a pista e, logo atrás, entram os equipamentos de compactação, responsáveis por dar uniformidade, acabamento e resistência ao pavimento.

O serviço termina com a pintura da sinalização horizontal e, depois de concluídas todas as etapas e respeitado o cronograma operacional, ocorre a retirada da sinalização temporária e a liberação da pista.

Sinalizar, fresar, limpar, preparar, aplicar, compactar, pintar e liberar.

A sequência se repete noite após noite. Em condições normais de operação, a frente de pavimentação consegue avançar, em média, cerca de 700 metros por noite.

Pavimentação é apenas uma das frentes da obra

É importante destacar que a recuperação do pavimento acompanhada pela equipe do Município representa apenas uma das etapas do conjunto de intervenções realizadas na Ponte Ayrton Senna.

Além da empresa responsável pela pavimentação, outras equipes e empresas especializadas atuam ou atuarão em diferentes serviços contratados pela concessionária Via Campo.

As intervenções incluem, entre outras ações, a manutenção das juntas de dilatação, limpeza da estrutura, revitalização da pintura das barreiras, melhorias na sinalização, substituição de dispositivos de proteção, serviços relacionados à estrutura e implantação da nova iluminação.

Portanto, enquanto uma equipe avança sobre o pavimento, outras frentes desenvolvem serviços específicos dentro do cronograma geral da obra.

A visita realizada pela DICSI na noite de 11 de agosto concentrou-se exclusivamente na operação de pavimentação e permitiu conhecer como funciona uma dessas engrenagens dentro de uma intervenção muito mais ampla.

Um mês de obras e 85% do pavimento recuperado

As obras de restauração e manutenção começaram em 13 de julho. Nesta quinta-feira, 13 de agosto, ao completar o primeiro mês das intervenções, a Via Campo apresentou um balanço dos serviços realizados.

Segundo a concessionária, a recuperação do pavimento chegou a 85% de conclusão. A limpeza da estrutura alcançou 41%, a revitalização da pintura das barreiras está em 21% e a manutenção das juntas de dilatação chegou a 13%.

Nos próximos dias, também devem avançar os serviços de melhoria da sinalização, iluminação e dispositivos de proteção. Estão previstas a instalação de novos elementos refletivos na pista e nas barreiras, a substituição de defensas metálicas e a implantação da nova iluminação.

A previsão da Via Campo é concluir todas as etapas de melhorias ao longo dos 3.800 metros da Ponte Ayrton Senna até 29 de outubro de 2026.

Para possibilitar a execução dentro do cronograma, os trabalhos são realizados no período noturno, das 21h às 5h, com uma janela de liberação entre 23h30 e 0h30 pelo sistema Pare e Siga. As intervenções ocorrem todos os dias da semana, inclusive aos fins de semana.

Via Campo esclarece vídeo sobre estrutura da ponte

Nesta semana, outro assunto relacionado à Ponte Ayrton Senna também ganhou repercussão nas redes sociais.

Um vídeo gravado na parte inferior da estrutura passou a circular mostrando uma abertura próxima a um dos pilares, apresentada em algumas publicações como uma possível rachadura.

Na quarta-feira, 12 de agosto, a Via Campo divulgou esclarecimento sobre as imagens. Segundo a concessionária, o elemento registrado no vídeo não é uma rachadura no pilar.

Trata-se de uma camisa metálica utilizada durante o processo construtivo da Ponte Ayrton Senna, na década de 1990, que serviu como forma para o confinamento do concreto durante a execução dos pilares.

A Via Campo informou ainda que as estruturas sob sua concessão passam por inspeções de equipes técnicas especializadas e afirmou que não há risco estrutural que comprometa a segurança da ponte ou dos usuários.

A concessionária também esclareceu que as obras atualmente executadas na ponte não possuem relação com o elemento mostrado no vídeo.

Uma obra que continua enquanto a cidade dorme

Para quem utiliza a Ponte Ayrton Senna, muitas vezes a obra é percebida pelo horário de bloqueio, pelo Pare e Siga ou pela necessidade de reorganizar uma viagem.

A poucos metros das máquinas, porém, a dimensão é outra.

São dezenas de trabalhadores, equipamentos pesados, caminhões, planejamento, logística e uma sequência de atividades que precisa funcionar com precisão para que, ao final de cada turno, a pista possa novamente receber o intenso fluxo de veículos que cruza diariamente a divisa entre Paraná e Mato Grosso do Sul.

E a pavimentação é apenas uma parte desse processo.

Enquanto uma frente retira mais de cinco centímetros do pavimento antigo e avança centenas de metros a cada noite, outras equipes cuidam de juntas, estrutura, pintura, sinalização, dispositivos de segurança e iluminação.

Acompanhar esse trabalho de perto permitiu compreender que, por trás de cada noite de interdição, existe uma operação muito maior.

Enquanto boa parte da região dorme, um verdadeiro balé de máquinas e trabalhadores ocupa a Ponte Ayrton Senna. Cada equipe cumpre sua etapa, cada equipamento entra no momento certo e, noite após noite, uma das mais importantes ligações rodoviárias da região passa por um amplo processo de restauração e manutenção.

Município de Guaíra
Visualizada 43 vezes
Data de publicação: 16:26 quinta-feira, 13/08/2026
Por: DICSI: Texto e Revisão: Cíntia Marques / Fotos: Lindomar Vantelino e Izabeli Santos


Últimas Notícias